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E aquele adeus não pude dar...

Esses dias recebi a notícia de que o amigo que eu havia feito esse ano em um cursinho para o ENEM, quando eu achava que não ia passar para Jornalismo, morreu. Pegou-me de surpresa. Não acreditei quando vi. Lembrei logo do dia em que fizemos amizade. Ele tinha me pedido uma informação, eu respondi e começamos a conversar. No dia seguinte, ele e eu começamos a sentar lado a lado e nos outros dias, através de um pacto mental, quem chegava primeiro guardava o lugar do segundo. Uma amiga, Jhesica, nessa época, estudava com a gente e eu apresentei os dois. Outra amiga minha, Karla, veio para o curso depois um tempo e também foi apresentada. Ele me apresentou uma amiga dele e juntos fizemos dois amigos: Walter e a Alice. Apesar de ter ficado muito abalada com a morte do meu avô, depois dela percebi que a morte pode ser vista com bons olhos. As que vieram em seguida, a da minha avó, por exemplo, me fez ter confirmação de que a morte chega para quem precisa dela para descansar. Não consegui ch...

Umas bobagens aqui e ali

Acho que nunca fui uma escritora. Ocasionalmente a gente diz que é, mas não tem certeza e é complicado demais explicar que só gosta de escrever. Escrever todo mundo escreve, mas ser escritor é mais do que isso. Acho que sou mais uma pessoa cheia de pensamentos em conflito e que resolve publicá-los em um blog do que uma escritora. Escrevo mais para me libertar do que para acalentar o coração do outro. Minhas palavras não são bonitas o bastante para alguém ler enquanto toma um cafézinho.  Eu prefiro acreditar que brinco com a escrita. Que escrevo umas bobagens aqui e umas bobagens ali utilizando a impulsividade ao meu favor. E falando em impulso, estou com uma história no site Wattpad, acredita? Se tiver coragem de ler, é só clicar aqui .   Ela é sobre a Nina e a Antonina: a primeira é uma jornalista curiosa e audaciosa; já outra é uma versão de si da qual não se orgulha. Preciso confessar que às vezes eu releio os capítulos e penso "Marcelha, o que você tem na cabeça? Não tem ...

Coitada dela, se soubesse

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A serenidade no olhar de quem estava abraçada ao canhão. ( Foto:  Meu arquivo pessoal ) Vou pelo caminho prestando atenção na rua. No  alaranjado do fim do pôr do sol com o azul escuro da noite.  No cachorrinho que fuça o saco de lixo. Nos prédios enormes. Nas pessoas voltando para casa e nas crianças sorridentes de mãos dadas com os pais ao contar como foi o dia na escola. O carro para e escuto uma conversa vinda da moto parada ao lado: - Matemática é tão fácil. Não tem mistério algum. - Mas eu não gosto, tenho dificuldade. - Inglês que é mais difícil e tu tira nota boa. Isso é falta de esforço, é só prestar atenção na aula. - Eu presto! Mas odeio. O semáforo abriu e eu sorri. Olhei para o lado e meu pai comentou que a menina parecia comigo. É, na minha época de fundamental (principalmente no oitavo/nono ano), preferia quatro aulas seguidas de inglês a ter duas seguidas de matemática. Meu pai sempre havia sido muito bom na matéria e vivia reclamando da mi...

Eu ando por aí

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( Foto:  Marcelha Pereira) Eu ando cansada de mim. Cansada de como ando reclamando do que acontece de errado e focando nesses detalhes. Há um lado de mim que anda enegrecendo e eu não suporto o que eu estou vendo refletido no espelho do meu interior.  O lado antes florido, agora está com as folhas secas e a grama morta. A parte de mim que adora gargalhar na cara da vida, anda com medo e com vontade de trancar-se dentro de um quarto. Anda sem forças. Os demônios que me habitam andam fazendo festa em cima dos meus escombros e depois saem me deixando sozinha olhando cada pedaço o qual foi destruído sem remorso.  Eu ando querendo sumir (como sempre quis). Eu ando por aí destruída, distribuindo sorrisos e abraços quando queria sentar e chorar. Uma viva... Morta.

Mais um texto daqueles

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( Foto:  Divulgação/Internet) Precisamos ao todo momento agradar àqueles que não gostam de nós. Reprimimos o que somos para ver se o outro nos aceita como a gente finge que é. A nossa juventude anda louca, com os sentidos do amor fechados e na defensiva. O tempo todo.  Anda grossa, mal intencionada, esquece que palavras machucam e que críticas devem ser sabiamente dadas. Esquece do tato, do cuidado e que cada um, todos os dias, lida com seus próprios demônios.  Estou cansada da desconfiança que a nossa juventude naturalmente cria. Estamos sempre esperando que o outro nos machuque e nos engane. Criamos barreiras e esquecemos de que como devemos agir com o amigo. A gentileza está se tornando seletiva, a gente escolhe quem vamos tratar bem no dedo. Estamos nos tornando pessoas frias vivendo em um mundo onde somos postos uns contra os outros e isso me deixa triste. Eu não quero estar em guerra com ninguém, isso me dilacera.  Eu gosto de pessoas envolta de mim. Gos...

O universo é um turbilhão de emoções. E eu também.

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( Foto:  Marcelha Pereira) Eu não sei ser pacífica. Não nasci com o dom da calmaria. Eu me revolto, eu choro, eu rio sempre que dá vontade. Não sou de controlar minha mente e meus sentimentos. Gosto da capacidade deles de tentarem ser livres.    Sei que se eu soubesse ser mais "de boas" as coisas não quebrariam tanto para o meu lado e com certeza eu teria noites de sono melhores. Mas acontece que eu não sou o tipo de gente que consegue balancear - admiro-as muito, inclusive, haja paciência -, se vejo algo errado não consigo ficar calada e esperar que ajeite por si.    Não sei ficar olhando a merda explodir enquanto tomo um vinho sentada na minha confortável poltrona. Eu sou do tipo de gente que arregaça as mangas e se junta na merda para evitar que ela exploda. Se suja da cabeça aos pés, mas não sossega a cabeça no travesseiro até que consiga expor o que quer porque sabe que não é errado lutar para ajeitar o espaço em que vive...  Se o universo é um tur...

Nesse meio tempo eu perdi a sanidade

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( Foto:  Marcelha Pereira) Vocês não devem saber, mas o blog, dia 01 de março, completou dois anos e aquela vontadezinha de voltar a publicar veio. E o que eu posso dizer que mudou durante todo esse tempo? Bom, o cabelo cresceu e a tagarelice aumentou. E se eu já ria para o vento, agora estou gargalhando da formiga que está carregando um pedacinho de planta. Meu grau de miopia aumentou, agora tornou-se quatro vezes pior enxergar aquele boyzin do outro lado da rua. Parece também que eu endoideci ainda mais do que achei que conseguiria. Ah, e passei para Jornalismo na UFRN. A garotinha agora frequenta universidade, não é mais a menina de dois anos atrás, mesmo que continue assustada e inconformada com o mundo real. As responsabilidades mudaram e isso dá certo medo de como as coisas serão daqui pra frente. Dois anos atrás eu estava criando o blog para ver se suportaria o bendito Ensino Médio, e hoje volto para começar a escrever a nova fase da minha vida. Aqui no Além do Padrão est...